sábado, 4 de julho de 2009

Mega Friends @ 12Julho

Chega a Juiz de Fora mais uma festa de altíssima qualidade, com a união dos dois eventos mais queridos da região, a MEGA e a FRIENDS, nasceu, assim, a primeira edição da Mega Friends com o objetivo de levar ao público muita música de qualidade através de um lindo line, com muito respeito, união e amizade entre o público.
O line up conta com nomes como Dimitri Nakov, Milton Channels, Fractal System, Analog Drink, Minimal Criminal e Rank Tamp que estão prometendo apresentações únicas para deixar o dancefloor sempre muito vivo, com todo seu público dançando muito para guardar na memória cada momento de uma festa que tem tudo para ser inesquecível.
Line Up:
08:00 X-CONKER (friends)
09:30 NANO TECH LIVE ! (loopi)
10:30 ALEX MIND LIVE ! (loopi)
11:30 FRACTAL SYSTEM LIVE ! (loopi)
12:30 SINTETIC SYSTEM vs DUZZI (loopi)
13:30 DIMITRI NAKOV (carambola)
15:30 RANK TAMP (loopi)
17:00 MILTON CHANNELS LIVE ! (loopi)
18:00 ANALOG DRINK LIVE ! (4am)
19:00 MINIMAL CRIMINAL LIVE ! (11hz)

Release:

Dimitri Nakov:
http://www.myspace.com/dimitrinakov
O francês Dimitri Nakov, começou seu envolvimento com o mundo musical muito cedo.
Seu currículo acumula mais de 15 anos de discotecagem e 10 de produção musical.
O ano de 2009 é muito importante para Dimitri, pois é o ano do lançamento de seu primeiro álbum solo : "Interrupted" ;
Resultado de muitos anos de trabalho em seu estúdio em Ibiza, entre muitas turnês mundiais, mesclando diversos elementos encontrados em todo o mundo e em todas as vertentes.
Milton Channels:
http://www.myspace.com/miltonchannelsdj
Milton Pineda, mais conhecido como Milton Channels, 20 anos de idade, colombiano de Medelin, começa a sua paixão pela música eletrônica muito cedo, aos 5 anos de idade. Desde novo, se interessa por estilos como o tribal, o house e o trance.
Com apenas um ano e meio de trabalho em suas produções, tornou-se revelação mundial na cena eletrônica e suas músicas estão em set's de grandes DJ's, como : Tim Healey e Kore e seu EP " You Lose " circulou entre as "TOP 10" do ano de 2008 , no site Beat Port!
Seu LIVE é baseado na idéia minimalista e carregado de groove, com o gingado da música colombiana.
Com produções contagiantes, onde passeia pelo minimal groove ao electrotech, promete trazer para sua turnê pelo Brasil, muita energia e apresentações inesquecíveis!

A Mega Friends acontece no próximo dia 12 de Julho (domingo), no Recanto dos Lagos, em uma evento on day começando as 08:00h e com final previsto para as 20:00h, e serão vendidos 200 ingressos promocionais no valor de R$20,00, após estes o valor será de R$ 25,00 até o dia 11/07/2009 e R$ 35,00 na portaria da festa.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Entrevista: Fractal System

"Maha e Leh é a dupla idealizadora do projeto Fractal System, que surgiu no ano de 2008 com influências musicais de grandes nomes da música eletrônica, como: Miles Dyson, Electrixx, Deadmau5, Oliver Giacomotto, Amo & Navas, Jhon Acquaviva e outros. Suas produções têm como marca registrada um bassline forte e rasgado, batidas marcantes que proporcionam ao público experiências únicas a cada apresentação. Todas essas qualidades e características levarão ao lançamento de um EP pelo selo Plasmapool assinado pelo grande produtor Miles Dyson que já lançou tracks de grandes nomes da cena eletrônica, como: Felguk, Flutuance, Electrixx, Aaren San, Lazy Rich, Sharooz e outros."

Por favor, se apresente para os leitores do blog contando um pouco da história, porque e como resolveu montar o projeto.
O projeto e composto por Leh ( Leandro) e Maha (Lucian), começamos com as primeiras músicas no carnaval de 2007 apenas por brincadeira para nossos amigos tocarem em algumas festas e resolvemos pegar firme a partir de então.

Percebo que no Rio de Janeiro existe uma glamourazição exagerada para se falar de festas em outros estados, os frequentadores informam que o público é diferente, que a música é diferente, além de um “ambiente” totalmente diverso. Particularmente, não concordo muito com isso, pois acho que a maior diferença atual existente é o tempo de duração entre as festas daqui e as de outros estados, tendo em vista que mais do que nunca, ficou fácil ir a festas em diversos lugares do país, o público tem preferido ir para outros estados e com isso, valoriza a desvalorização da cena carioca. Como você analisa isso tudo?
Não podemos dizer no caso do RJ, pois somos de SP capital, existe uma diferença de público das festas de SP em relação a outros estados, em Minas Gerais por exemplo existe uma grande empolgação do público para as festas.
Nós tocamos algumas vezes no Rio e não percebemos muita diferença como dizem, o pessoal tem manias diferentes do pessoal de São Paulo, do pessoal de Minas Gerais, mas isso é normal cada estado com sua caracteristica não que um seja melhor do que o outro mas cada um com sua característica. Nós gostamos muito de tocar no Rio mas infelizmente não voltamos mais para o estado , talvez devido a tal situação da cena desvalorizando.


Existe um preconceito enorme com a música eletrônica em geral. A mídia e autoridades afirmam que rave é lugar de gente drogada, que não dá para ficar escutando o “tuntz tuntz” por muitas horas seguidas e por isso o consumo de drogas sintéticas é tão elevado em tais eventos. Até que ponto você acha que a mídia está certa?
Em SP havia bastante propaganda negativa, mas o tempo a midia vai esquecendo. Em todos os lugares existem pessoas que se drogam, em show de rock, reggae, pagode, casamentos, etc.

O que me “choca” muitas vezes é o falso moralismo de certos frequentadores ao ver uma informação num meio de comunicação qualquer dizendo que alguém morreu durante um evento ou que existe consumo de drogas em tais festas, e assim, aqueles falam que tais coisas não existem e que a mídia só está pretendendo acabar com a cultura eletrônica. Sabemos, infelizmente, que droga tem em qualquer lugar, independente de ser dentro de um evento ou na esquina de casa, sabemos ainda que o excesso de tais ilícitos pode sim acarretar a morte. Como você enxerga essa visão do público?
Admiravel como hoje em dia ainda haja pessoas com esse tipo de pensamento, tentando fugir da verdade, como foi dito acima drogas tem em qualquer lugar.

Como é o processo de criação de uma música?
E bem complexo, é necessário ter noções de musica como harmonia, escalas, baterias, etc. Começamos sempre com a parte que e a mais bombante da música, quando esta está pronta partimamos para outras etapas que compõem a música.

Qual é a responsabilidade maior para vocês: criar uma música inédita que agrade o público ou fazer um novo remix de uma música de um DJ/Projeto conhecido? Por que?
Atualmente é criar algo inedito, estamos trabalhando para inovar bastante nas proximas produções.

A rave, a música eletrônica em geral entrou num modismo crescente. Quando algumas pessoas acharam que esse modismo iria passar, ele vem cada vez mais ganhando força. Como você vê isso?
Este modismo pode fazer com que pessoas que não conheciam a música eletrônica passem a conhecer e entendê-la.


É necessário tal modismo para que a música eletrônica esteja sempre viva?
Acho que não, quem realmente gosta de música eletrônica ouve em casa, no trabalho, na rua, nao necessariamente precisa ir a algum lugar que esteja tocando música eletrônica.

Porém um modismo de forma errada, que só agrega coisas ruins, como por exemplo pessoas que só pensam em se drogar, dizer que estão “fritandoooo” e tiram diversas fotos para orkut e afins, só tende a prejudicar uma “cena” que já é mal vista pela população, pois pessoas como estas estão pouco se importando com o som que está sendo tocado ou com a cultura que está sendo estragada. Assim, você acha que grande parte desse modismo se dá pelas próprias produtoras que antes de mais nada, visam dinheiro, e desta forma, colocam um line comercial e “chamativo” em seus eventos? Por que?
Creio que não, pois essas pessoas nem olham o line antes de ir pra a festa , vão pra festa que for rolar no fim de semana.

O chamado low bpm vem numa crescente também, a maioria dos Djs/Projetos novos que estão chegando no mercado, já começam com electro, prog ou minimal, por exemplo, e muitos outros já conhecidos, estão migrando para tal área da e-music. Por que isso vem acontecendo?
A aceitação do público para com músicas no estilo de electro ou prog e maior que outras como Psy trance, fullon. Antes de começarmos com o projeto já gostávamos mais de electro e electro house.

Em um mercado tão fechado e concorrido, vejo um som muito semelhante e coincidentes até em diversas músicas, sets e lives de variados artistas. O que se tem que fazer para deixar de ser “mais um” e se destacar no meio de tanto DJ bom?
Para se destacar ele tem que apresentar um trabalho diferente dos outros que existem e satisfatório.

Qual a melhor experiência que você já teve comandando uma pista?
Na maioria de nossas apresentações o pessoal fica bem alegre curtindo com um sorriso no rosto isso é SEMPRE bom ... mas na Sunset II foi algo que marcou muito quando o pessoal que estava na pisicna jogava água pro alto sem parar.


Qual a principal diferença que você percebe, ao analisar a carreira de vocês desde o inicio até os dias de hoje?
A maior diferença é que tudo começou como um brincadeira, um hobby, não tinha pretenção de se tornar o nosso trabalho, mas aos poucos foi este se tornando nosso trabalho de primeiro plano.

Analisando ainda o público daquela época para a de hoje. Como vocês vêem as festas daqui alguns anos?
Não da pra saber pode ser que a galera que vai porque está na moda canse e as festas voltem a melhorar, ou pode ser que esse pessoal aumente cada vez mais e acabe de vez.

Vocês a pouco tempo assinaram com o selo do Miles Dyson, vejo isto como uma comprovação de um trabalho bem feito. Quando vocês receberam a proposta para integrar tal selo qual foi a reação? Qual a importância disto para a carreira de vocês?
Quando entramos para o selo ficamos felizes, pois o selo lança musicas de muitos produtores bons e renomados do mundo todo. A maior importância é que nosso trabalho vai ser conhecido por outros países.


O Felguk está sendo muito criticado porque após conseguirem um status de “melhores do Brasil”, não apareceram com uma variedade grande de músicas e tocaram seguidamente nas maiores festas do país, tornando-se assim massante, pois é muito escutado, porém com quase nenhuma novidade. Vocês acreditam que após conseguir alcançar o status que eles conseguiram, estes deveriam parar um pouco a carreira para produzir e voltar com músicas novas e assim ter uma carreira mais longa? Como o Fractal analisa isso?
Como Felguk está tocando em diversas raves e baladas, sobra pouco tempo para produzir músicas e o público não entende isso. Talvez seria interessante eles darem uma pequena pausa para lançarem um live inédito.

Muitas pessoas criticam a música eletrônica comercial, aquelas tocadas em boates e nas rádios, por exemplo, dizendo que estas não são de qualidade, que a música eletrônica de verdade são só aquelas tocadas em raves e festivais. O que você acha dos Djs que fazem tal crítica?
Começamos a gostar de musicas comerciais a muito tempo atrás, sem elas não iriamos conhecer outros estilos. Ainda hoje escutamos e gostamos de alguns artistias que fazem este tipo de musica.

Muito obrigado por ter disponibilizado um tempo para responder essa entrevista. Espero que tenham gostado. Deixe um recado para quem está terminando de ler essa entrevista.
Por nada , é sempre bom estar por perto da galera :)
eh noixx

Myspace: http://www.myspace.com/fractalsystem
Comunidade Oficial: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=47839989

Bookings:
São Paulo

(H2O Friends) Dudah : (11) 7897-3171
(Feeling Artists) Bruno : (11) 8271-6171

Minas Gerais
(Loopi) Fabricio Capute : (32) 8412-4040

Espiríto Santo / Rio de Janeiro
(Selektor) Daniel Bragança : (27) 8811-6429

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Astrix: "Red Means Distortion"

Primeiramente com lançamento previsto para 2008, o álbum “Red Means Distortion” do Astrix, é tocado por ele em suas apresentações a mais de 1 ano, e que os fãs acompanham ansiosamente o lançamento que foi reagendado para 2009, já que em nenhum momento são divulgados os nomes das tracks contidas neste novo trabalho de um dos maiores DJs do mundo, alias, uma das poucas divulgadas foi a “Adventure mode”, para ajudar na divulgação do cd.

Contudo, para felicidade dos fãs e desconfiança de uma jogada de marketing, pelos “críticos” da cena eletrônica, algumas músicas vazaram na internet, e com certeza vão ajudar ainda mais a divulgação do álbum, entre elas:

1. Red Means Distortion

2. Love Music (Rmx)

3. Adventure Mode

4. Mescaline (Rmx 3rd Oni)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Review: Kaballah

Pretendia fazer o review da edição da Kaballah logo assim que sai da festa, mas resolvi esperar um pouco para baixar a empolgação de sair de um evento daquele porte. A caminho da Kaballah constatei o que tinha como quase que certeza absoluta, sem engarrafamentos, com pouquíssimos carros, e alguns ônibus de excursão estacionados, fácil era perceber que esta festa seria muito diferente da que aconteceu no ano passado, principalmente referente ao público, onde a festa se encontrava totalmente lotada devido ao grande sucesso da edição de 2007.

Ao chegar na portaria fui informado que a doação não seria obrigatória, não precisando comprar ticket social ou pagar alguma quantia referente a “doação”, mostrando então que a produção já se fazia inteligente em não obrigar uma coisa que deve ser voluntária. Fácil e organizado foi “resgatar” os ingressos e entrar na festa, não havia fila e os seguranças que passei foram educados e competentes, porém já vi algumas queixas referente a estes em fóruns na internet.
Entrando na Kaballah a primeira coisa que se avistava era a grande estrutura central de decoração da pista, fugindo das normais decorações com tendas cobrindo a maior parte da pista, com um grande e imponente palco com uma “gigantesca tela” onde eram anunciadas as atrações e exibidas belas imagens. Ao chegar no caixa tivemos o mesmo susto com os preços que tivemos na Chemical, porém com um atendimento rápido e agilizado também, e os bares sempre com bebidas geladas o dia inteiro. Para completar ainda mais minha satisfação com a produção da Kaballah vi que, realmente, a Cocoon Stage não era a área Vip, e que esta não tomava toda a frente do palco, como normalmente vem sendo feito.


Entrei em torno de 03:30h e Gustavo Bravetti já estava comandando a Cocoon Stage com sua apresentação performática, mostrando porque vem sendo considerado um dos melhores Djs da América. Quando ele abaixava um pouco o som, fácil era escutar os delírios e aplausos de um público entusiasmado e feliz com tudo o que tinha sido visto até ali, e com tamanha empolgação que Popof subiu ao palco para mostrar quem é POPOF, não dá para explicar o que ele fez, palavras não resumem aquilo. Lembram do diferencial que falei que faltou no Dusty Kid na Space People? Então... Foi o que sobrou nele, que trouxe um som novo e totalmente dançante. Terminando o Popof, a Cocoon ficou vazia, pois todos sabiam quem estava chegando no palco principal, o Liquid Soul.

Depois de duas apresentações tão fantásticas como a do Bravetti e a do Popof difícil seria ver algo tão bom quanto eles, mas nada impossível para o Liquid Soul que chegou de forma única, deixando todo mundo maluco com sua Crazy People e grandes outros sucessos, e me deixando com medo, porque quem viria após eles era David Amo e Julio Navas, para mim, aqueles que “pagaram” meu ingresso, e como ultimamente difícil é prever o som que eles irão tocar devido a tamanha qualidade e diversidade musical que ambos possuem. E comecei a imaginar a possibilidade deles chegarem com um tech/minimal tech, ou algo do tipo, fato este que não cairia bem após o que foi apresentado pelo Liquid Soul, ainda mais combinado com a apresentação fracassada da Kaballah 2008, se isto ocorre, era o “fim” da carreira carioca deles.



Contudo, com as primeiras batidas eletrônicas longe ficou o medo do “minimal/tech” aquela hora, e claro o electro prog “rasgadooo” que vinha pela frente, nem sei muito o que falar deles aqui, pois vai parecer a visão de um fã falando, mas sei que é impossível qualquer pessoa falar ou apontar algum ponto ruim neles, nesta última Kaballah. Entre tantas vezes que já vi este duo, sem dúvidas, esta foi inesquecível, e a melhor entre todas, superando a própria Kaballah, em 2007, Creamfields e Burn Evolution. Saíram do palco ovacionados, deixando uma pista linda para o Acquaviva, que tirou a má impressão que tinha dele desde a Euphoria Festival de 2007, sendo mais um dj excelente.



Desde a Tribe Rio 2007, no Happy Land, que não presenciava um evento de tamanha qualidade, a “preocupação” da produtora com todos, independente de “ser ou não vip” foi excelente, tratamento igual para todos. Apresentações fantásticas seguidas de excelentes apresentações... Difícil disso se repetir tão cedo! Com a chuva o público foi selecionado, e com uma festa “vazia”, comparando-se com a do ano passado, nítida era a felicidade no rosto de cada um que se encontrava com o pé atolado em lama. E sem dúvidas, a melhor de todas as Kaballahs já realizadas no Rio.


Mais videos:











segunda-feira, 29 de junho de 2009

Do Uruguai para o mundo...

O Uruguai vem aparecendo consideravelmente na cena eletrônica com Djs e Projetos de ótima qualidade. Djs como Javier Misa, Gustavo Bravetti e o Pablo Barboza (PuntaLibre) chegaram ao Rio de Janeiro, e em cada festa que estiveram, entre elas I Love Electro, Space People, Kaballah e HOME, conquistaram o público, deixando sempre a pista cheia e muito dançante com cada “virada” disparada pelas mãos dos habilidosos djs.
Nesta última edição da Kaballah, em 27 de junho, o Gustavo Bravetti com seu live performance
arrancou gritos e muitos aplausos, e claro, muitos elogios por não deixar a pista parada um segundo, semana passada na Space People, foi a vez do Pablo Barboza, com seu PuntaLibre, conquistar fãs e “apagar” o Dusty Kid, tendo uma apresentação impar, mostrando porque vem recebendo tanto elogios de djs como o Tiesto.
Com a globalização da música eletrônica, e com o grande crescimento do chamado low beats, que tem suas origens na Europa, e são de lá os maiores nomes mundial desta vertente, grandes nomes vem surgindo na América do Sul, e com isso, o Uruguai vem trazendo muita música boa para os amantes da e-music.

PuntaLibre:
Release:

“Puntalibre é conformada por Fabricio Gutierrez e Pablo Barboza, ambos representam o estilo e espírito de Punta del Este no Uruguay, uma cidade muito especial na América do Sul. Todos os verões Punta del Este brinda grandes e importantes eventos e festas, e atrae aos melhores DJs do planeta à sua inigualável atmosfera.
Fabricio e Pablo levam 10 anos de experiência como DJs e produtores. Juntos têm lançado tracks em gravadoras como Wolkenfunken, SAS, Presslab Digital, Fiberline Audio e Progress Records. Os seus trabalhos têm sido suporte de DJs como John Digweed, Hernan Cattaneo, Markus Schulz, John Acquaviva e Tony Thomas, entre outros.
Começaram juntos no EP de Pablo “Drumming” (Telepathy Records UK) voltando a se unir para o EP de Fabricio “Sky Deep”, assinado pela gravadora Rapid Response Recordings (USA). “Sky Deep” rapidamente recebeu uma forte reação e aceptação por parte de Tiesto, Paul van Dy, D:Fuse, Nick Warren, Paul Oakenfold e Hernan Cattaneo, entre outros.
Fabricio e Pablo decidem então se fusionar sob o nome de Puntalibre, representando assim suas raizes e cultura. Paul van Dyk imediatamente se converteu em seu fã número um , ao ter como favorito o remix de “Deliver Me”(Rapid Response) de Tim Davison. Puntalibre atualmente se encontra trabalhando em remixes para Derek Howell e Anil Charla que em breve serão lançados.
Os shows de Puntalibre rotam entre complexos Live Sets assim como também Back to Back Sets.”

sábado, 27 de junho de 2009

Universo Paralello #10 – O ano da despedida

Desde que comecei a frequentar eventos de música eletrônica escutava falar do maior festival do país, o Universo Paralello, após ver algumas informações e fotos sobre este, fiquei encantado com tudo, com a possibilidade de viver livre de qualquer pré conceito existente, de viver em um lugar paradisíaco cercado de pessoas lindas, com muita música e cultura que te faz parar para pensar na vida, em valores que a sociedade moderna impõe. Assim, o Universo Paralello tornou-se um sonho para mim, sendo este concretizado na última edição, constatando assim, que estava enganado com tudo o que eu sonhava, pois estes sonhos, são pequenos diante do que o festival realmente é, algo inexplicável, uma experiência única. E como uma amiga disse, depois que você passa por tal fato, difícil imaginar seu reveillon em outro lugar sem ser a praia de Pratigi, mas, infelizmente, teremos que começar a imaginar isto a partir deste ano. Segue abaixo um texto postado no Blog do Roosevelt, contando um pouco de sua experiência de 7 edições de UP e mais o anúncio da edição comemorativa de uma década do festival mais amado do país."Todo começo tem seu fim…
Foram uma década de celebrações que eu arriscaria dizer que mexeram nas estruturas do Brasil. De todos os cantos do planeta, e porque não imaginar, de fora também, muitos foram os viajantes que vivenciaram a experiência Universo Paralello em seus dias mais incríveis.
Há oito anos conheço o festival e a sete o freqüento fielmente desde sua primeira edição em terras baianas. Vale deixar registrado que desde o principio todos da produção sempre foram extremamente receptivos e assim é até hoje com absolutamente todos ao seu redor, formando uma gigantesca família.
Lembro como se fosse ontem quando entrei em contato com o festival pela primeira vez, de forma tímida e sem a menor experiência e o Alok me ligando no dia seguinte do meu e-mail, batendo um super papo pelo celular, dando total apoio a nossa excursão, explicando detalhes de tudo e auxiliando sempre que era preciso.
Imaginem que tudo era muito complicado naquela época, pois éramos de Niterói, as festas e festivais de musica eletrônica eram muito mal vistas e não existia a rapidez de comunicação como orkut, facebook, twitter e os pouquíssimos sites que existiam sobre musica eletrônica não eram la muito amigáveis.
Isso tudo transformava aquele sonho em um desafio, pois além de ter a significante distancia de 1500 quilômetros até o sonho do paraíso de sol, musica eletrônica, liberdade e gente bonita, tínhamos que achar pela primeira vez outros 46 sonhadores dispostos a enfrentar quase 30 horas de ônibus até a Bahia. E foi difícil viu… mas foi uma realização incrível!
Nessa segunda feira eu recebi um depoimento que me emocionou. Uma passageira que frequentou minha excursão por anos seguidos me procurou dando uma bronca. Dizendo que esse ano nem ela ou os amigos estavam conseguindo se animar pra ir ao festival, pois não estavam sentindo a empolgação que vinha de nossas divulgações, já característica de todos os anos com matérias, entrevistas, fotos e comentários sobre os preparativos da nova edição.
Confessei pra ela que estava com outros planos pra esse fim de ano, mas que a excursão já estava na rua, porém com uma divulgação mais reservada. Nesse momento ela me envio pelo MSN a musica Avalom do Protoculture e pediu que eu desse play junto com ela e que escutasse a musica de olhos fechados, lembrando da primeira vez que fomos ao festival e vimos a apresentação histórica do Protoculture. Nem preciso dizer mais nada … eu simplesmente não conheço outro local que consiga me fazer tão bem, me sentir tão em casa e tão acolhido quando o assunto é Universo Paralello.
Então pelo sétimo ano consecutivo o festival e esse aqui que vos fala, damos inicio ao poderoso chamado pra edição especial de 10 anos que sera realizado entre os dias 29/12/2009 a 03/01/2010 na paradisíaca praia de Pratigi.
As surpresas desse ano já começa na divulgação que a principio circula de forma direcionada, em que só as pessoas cadastradas no mailing do festival é que estão recebendo as primeiras infos.
Pela primeira vez o boato comum que ouvimos todos os anos sobre o fim do festival se torna um fato real, já incluído na pouca divulgação que circula, e que trás na integra as seguintes informações:
“Tomados por uma alegria única começamos a preparar a festa de 10 anos do Universo Paralello. Um encontro que pretende resumir todo o encanto de uma década de celebração entre amigos, cercados de arte, cultura alternativa, natureza e muita música. Os 10 anos da UP serão comemorados em novo espaço. Uma área inédita dentro da mesma fazenda de sempre, que vai garantir maior segurança ao festival, mantendo toda beleza baiana da Costa do Dendê. Tudo será novidade: a disposição das pistas, nova decoração, praças, feiras, campings, banheiros e chuveiros, assegurando o mesmo tamanho dos espaços assim como a qualidade das estruturas.
No clima de despedida começa agora a festa de 10 anos do Universo Paralello e você é parte fundamental nessa comemoração. Será a ultima edição do festival na região que carinhosamente nos acolheu durante esses anos. Depois de uma série de negociações entre o UP Crew e o poder público de Ituberá ficou decidido, em comum acordo, que essa será a última edição em Pratigi. Vamos então fazer desse encontro um grande ritual, fechando assim um ciclo de muita alegria, confraternização e aprendizado junto ao próximo e a natureza, onde os ritmos se multiplicaram e as sensações se unificaram numa só frequência.”
Vai ser difícil imaginar o festival em outro local, mas confesso que estou louco pra ver esse novo local em que será construido o festival desse ano e as próximas edições, que a partir desse ano vão ocorrer de 2 em 2 anos.
Pra quem ainda não teve a oportunidade de viver essa experiência, comece a se programar desde ontem pois os ingressos começam a ser vendidos 1º de setembro, porém excursões e pontos de venda como a Conexão PSY já estão fazendo vendas reservadas.
De hoje até setembro teremos esse cantinho aqui do blog pra trocar informações e as deleciosas espectativas que tomam conta da gente a cada edição.
;-]"

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Entrevista: Tomás Chiaverini

A pouco tempo foi lançado o livro do jornalista Tomás Chiaverini, o “Festa Infinita – O Entorpecente Mundo das Raves”, e a rave foi “desvendada” através de olhos e opiniões de um jornalista que mergulhou neste universo, até então desconhecido para ele, para escrever este livro que vem criando polêmica em diversos sites e fóruns de música eletrônica na internet, muitas críticas, inúmeros elogios e uma ampla discussão inteligente e fundamentada sobre um assunto que apesar de ser amplamente discutido, sempre tem novidades para serem explicadas, a música eletrônica e o mundo que a envolve.
Eu já comprei o livro, e este já me gerou uma infinita montanha-russa de sensações e sentimentos por este, porém não vou deixar aqui minha opinião sobre este. Entrei em contato com o autor, Tomás Chiaverini, e este atenciosamente, aceitou participar de uma entrevista, que gerou ótimas informações e assuntos que podem ser bastante discutido. Abaixo segue a entrevista com o Tomás.

“Em Festa Infinita, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves – festas de música eletrônica, ao ar livre, com duração de mais de 24 horas. Logo no primeiro capítulo, numa narrativa dinâmica e precisa, é possível presenciar uma rave do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.
A partir daí, o autor cria um panorama desse movimento contra cultural, que apenas no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês. No ano de 2007 foram 1.400 festas, promovidas em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a reunir 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.
Para dar contornos a este universo, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil e no mundo. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com seus personagens, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas e em noites de música ininterrupta.
Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 hor
as até o interior de Goiás e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No final de 2008, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia, onde acompanhou a montagem do Universo Paralello – festa que atraiu 9 mil pessoas para dez dias de sol, drogas e dança. Finalmente, para retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível, arriscou-se a experimentar, na própria pele, os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.
O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que expõe o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual e que documenta uma faceta da história contemporânea desconhecida para a maior parte da população.
Tomás Chiaverini nos oferece um relato preciso, sensível, humano e cuidadosamente detalhado, ao vivo e em cores, sobre o que acontece nessas festas sem deadline, que enlouquecem não só quem delas participa, mas também os pais e os vizinhos – algo tão chocante e real que mais parece ficção.
Mais do que isso, o trabalho do autor, sempre baseado em fatos concretos e pesquisas em profundidade, cumpre com competência a missão de lançar um brado de alerta sobre a preocupante realidade desse ‘entorpecente mundo’, no qual mergulham de cabeça, quase todos os dias, muitos milhares de jovens em busca de novas – e perigosas – experiências”.
Do prefácio de Ricardo Kotscho”

Tomás, conta um pouco de sua história como jornalista. Como e por que você resolveu entrar para esta bela profissão?
Não sei dizer exatamente por que escolhi a profissão de jornalista, mas acho que foi uma escolha acertada. Sempre gostei de ler, de escrever e sempre me interessei por assuntos diversos. Então acho que foi a escolha natural.
Minha história como jornalista foi bem maluca. Assim que me formei coloquei a mochila nas costas, juntei a grana que tinha economizado como colaborador de um site e fui pra Manaus, em busca de histórias pra contar. Passei cinco meses mochilando pela Amazônia, voei com a FAB em missões humanitárias até a fronteira com a Colômbia, presenciei conflitos indígenas em Roraima, entre outras doideiras. Assim conseguir vender algumas matérias para revistas importantes.
Quando voltei, sem estágio, sem emprego e sem o que fazer, resolvi escrever um livro. Sobre população de rua em São Paulo. Dormi embaixo de viadutos, me disfarcei de desabrigado pra ser recolhido a um albergue municipal e entrevistei inúmeros moradores de rua e especialistas. O resultado foi o Cama de Cimento, lançado em 2007. Depois fui selecionado pelo programa de treinamento do jornal Folha de S.Paulo, onde trabalhei durante dois anos, fazendo de tudo um pouco.

Qual a sua principal motivação para escrever sobre um universo que a cada dia que passa conquista mais adeptos?
Meu objetivo foi, sobretudo, jornalístico. Ou seja, retratar uma realidade que atrai centenas de milhares de adeptos, mas que é desconhecida para a maior parte das pessoas. A idéia foi criar um livro que fosse interessante não só para os ravers como para a população em geral. Criar um texto envolvesse o leitor. Um texto que por um lado fizesse quem nunca foi em uma rave se sentir em uma e, por outro, trouxesse fatos desconhecidos mesmo para os mais aficionados.

Logo no início do livro, no capítulo “Tunts, tunts, tunts, tunts” fica claro a sua preocupação em levar seus leitores a um mergulho e se “sentir” naquele instante, ao ler cada frase, em uma rave. Já que você até então nunca havia ido a uma rave, qual foi sua primeira impressão?
Assombro. Acho que não tem outra palavra. É uma coisa muito intensa que me deixou meio pasmo durante algum tempo. Mas depois passa, haha.

Muitos dizem que o “movimento raver” que ocorre nos dias de hoje, muito se assemelha com o movimento de contracultura efetuado antigamente pelos hippies. Quais as semelhanças, se é que existem, que você enxerga em ambos os movimentos?
Há uma porção de semelhanças. O discurso de paz e amor, a comunhão com a natureza, a proximidade com filosofia e religião orientais, o modo de vestir, o vegetarianismo, a psicodelia das drogas alucinógenas, etc.
Mas ao mesmo tempo há muitas diferenças. Acho que o movimento hippie, pelo momento histórico em que ocorreu, era muito mais politizado. O rock teve uma penetração na sociedade como um todo que a música eletrônica ainda não atingiu, e isso disseminou demais a cultura hippie.


Você traz no livro um histórico sobre os eventos eletrônicos e conviveu diretamente com Djs e produtores, esses fatos acrescentaram algo na sua vida?
Difícil de responder essa pergunta. Principalmente porque, ao meu ver, tudo que vivemos acrescenta algo. Então posso te garantir que sim, no processo de apuração do livro muito foi acrescentado na minha vida. Só não me pergunte o quê.

Mudou de alguma forma a impressão que você tinha das raves? Qual era a impressão que você tinha e que passou a ter após ter convivido mais de perto com este movimento cultural?
Antes de conhecer as raves, eu tinha a impressão de que elas se tratavam e um movimento mais agressivo. Algo mais próximo ao mundo punk. Mas antes mesmo de ir a uma festa, já percebi que isso não correspondia à realidade.

Fato notório é que a cada dia que passa os adeptos ao movimento raver e o número de eventos crescem ainda mais. Qual seria o principal motivo para isto ocorrer?
Não sou antropólogo nem sociólogo, então não tenho as ferramentas necessárias pra tentar explicar por quê certos fenômenos sociais ocorrem. Mas posso arriscar. E meu palpite é de que o ser humano, no geral, experimenta uma necessidade crescente de intensidade. O cinema mostra muito isso. As cenas de ação são cada vez mais fantásticas, o terror é cada vez mais assustador, o sexo é cada vez mais explícito. E as raves, acredito eu, são um pouco o reflexo dessa busca por intensidade. A música é cada vez mais alta, as festas duram cada vez mais, as drogas são cada vez mais potentes, e assim por diante.


Com o crescimento das raves, a concorrência também aumenta. Já que são feitos vários eventos durante um mesmo final de semana simultaneamente em diversos lugares do país. Muitos dizem que nos eventos atuais a preocupação dos organizadores e produtores é meramente capitalista, pouco se importando com a cultura que cerca a música eletrônica. Como você analisa isto?
Acho que é um movimento natural do sistema capitalista. Com os hippies isso também aconteceu. Surge um movimento contracultural que atrai muita gente justamente pelo fato de ir contra o sistema, mas logo os empresários percebem que isso pode gerar grana e transformam a contracultura em mais um produto. É inevitável que isso aconteça.

E acha que o público atual das raves está preocupado com esta cultura? Ou teria outros motivos que o instigassem a frequentar tais lugares?
Eu me arrisco a dizer que, atualmente, uma minoria se preocupa com algum tipo de cultura que possa existir por trás das festas. A maioria está lá pra curtir uma balada e ponto final.

O que vem crescendo com o passar dos dias também são leis e projetos para, de uma forma velada, proibir a realização de festas, porém, segundo as autoridades, o que vem sendo feito é a regulamentação deste tipo de manifestação cultural. Qual sua opinião sobre tal acontecimento?
Sou contra a proibição das raves. Acho que leis arbitrárias como as que estão sendo propostas só incentivam a ilegalidade. E se for proibir por conta das drogas, vai ter que proibir o carnaval, as micaretas, as festas de pagode, de axé, vai ter que proibir até o ano novo, haha, aí eu quero ver.

Como foi acompanhar de perto a “construção” de um Universo Paralello, festival que ocorre na Bahia, e movimenta a economia local. Qual a importância de eventos deste porte para a cultura e amantes da música eletrônica?
Foi um processo de apuração bem tenso, pra falar a verdade. Porque quando você olha pra tudo aquilo pronto, não pode imaginar o nível de tensão que envolve uma produção tão complexa. E quando estão todos com os nervos à flor da pele, ninguém quer um repórter fazendo perguntas por perto.
Mas no final, o pessoal conseguiu colaborar com o livro. E o UP é um evento fantástico, que coloca o Brasil em posição de destaque no roteiro internacional dos festivais de música eletrônica.


Segundo relatos em seu próprio livro, você utilizou ecstasy para retratar o universo eletrônico de forma mais intensa e realista. Realmente acha que tal fato seria necessário? Isso não mostra, a mesma visão sensacionalista e preconceituosa que a população e outros meios de comunicação já possuem das pessoas que frequentam tais eventos e participa desta cultura?
Acho que foi necessário, sim, para compreender melhor esse universo. E acho que não reforça preconceitos. Pelo contrário. O preconceito é uma visão de quem não conhece alguma coisa, de quem fala sobre algo saber exatamente do que se trata. Eu fiz o contrário. Vivi a experiência antes de falar dela.
E aí, acho que minha atitude bate de frente com uma montanha de hipocrisia. Por um lado, temos a sociedade que proíbe as drogas mas oferece punições ridículas a quem é pego portando substâncias ilegais. Isso só tem um resultado: aumenta o poder do tráfico. Do tráfico que sustenta toda a sorte de políticos e policiais corruptos.
Do outro lado, no nosso caso, temos uma boa parcela dos ravers que não só usa drogas como faz campanha. Não foram poucas as pessoas que me disseram que se eu não tomasse, eu não entenderia esse universo. Até aí tudo bem. Eu não vejo muita diferença entre um baseado e uma cerveja e sou a favor da liberdade individual.
Agora a hipocrisia está no fato de que algumas pessoas se sentiram ofendidas porque eu retratei a relação das raves com as drogas. E retratei da forma mais imparcial possível, de uma forma aberta, sem condenar quem usa e mostrando que as drogas provocam sim experiências deliciosas. Seria preconceito se eu não tivesse tomado e colocasse apenas a visão do Denarc, ou dos psiquiatras.

De todos os fatos e histórias que você vivenciou para escrever o Festa Infinita, qual (quais) você destacaria? Por que?
Acho que a vivência mais fantástica foi o Trancendence. Porque acompanhei uma excursão de ônibus em meio a 40 malucos. Saí de São Paulo com eles e enfrentei mais de 30 horas de estrada. Depois passei uma semana inteira acampado no meio do festival, vivenciando a fundo aquilo tudo. Foi um trabalho muito intenso de imersão. E bem divertido também.

Alguns leitores criticaram o livro por você ter se baseado em algumas festas de São Paulo e festivais, não levando em consideração festas que ocorrem em diversos lugares do país, em que cada local tem sua peculiaridade. Por que suas pesquisas foram concentradas em São Paulo?
Dinheiro. Gostaria muito de poder viajar o país, quem sabe até o mundo, para escrever um livro. Mas a realidade que se impõe é outra.


Já existe algum projeto para uma “continuação” do Festa Infinita? Quais são seus planos como jornalista?
Não existe projeto de continuação, nem acho que vá existir. Meu próximo projeto não é propriamente jornalístico. É um romance, uma ficção longa na qual venho trabalhando há alguns anos. O livro está passando pelos últimos ajustes e se tudo der certo, será publicado em breve.

Tomás, muito obrigado por ter aceitado participar desta entrevista. Gostaria que você deixasse uma mensagem para todos os leitores do blog e amantes da música e cultura eletrônica.
A minha mensagem vem na forma de um pedido. Apesar de Festa Infinita não ser um livro de denúncia e de forma alguma ir contra as raves (muito pelo contrário), tenho sofrido críticas violentas por parte de integrantes do mundo raver. E o pior é que essas críticas, via de regra, são feitas por pessoas que não leram o livro. Quem lê, mesmo os mais aficionados por este universo, gosta do livro. Não são poucos os que me procuraram para elogiar.
As críticas são as mais diversas. Já fui chamado de sensacionalista, de careta, de drogado, de superficial, de garoto propaganda do Universo Paralello, e até de homossexual (como se isso fosse xingamento).
Mas a crítica mais recorrente é que falo sobre um assunto que não conheço. E aí é que está a graça. Quem fala isso, é porque não leu o livro. Porque eu passei um ano inteiro estudando e vivenciando esse universo. Então os que aplicam esse discurso, estão, na verdade, praticando aquilo que condenam. Estão julgando o livro sem saber do que se trata.
Por isso, peço encarecidamente que se quiserem falar do livro ao menos leiam antes.